terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Estrelas

São 3 da manhã de uma segunda- feira comum, mas resolvo voltar ao meu local de origem... O mesmo tapete macio, fabricado de flores e folhagens um tanto quanto molhadas pelo orvalho.

Foi nesse local onde tudo começou: O primeiro texto do blog, junto ao receio em escancarar o diagnostico aos amigos e desconhecidos. Uma grande e interminável conversa com a alma, onde apenas as estrelas serviam de testemunha. E como me ouviam... Como me compreendiam.

Naquele mesmo gramado, comemorei silenciosamente cada um dos meus primeiros passos pós tormentas quimioterápicas. Foi ali que me redescobri bípede e conheci o poder do “acreditar”. Cada jornada nessa vida teve, tem e sempre terá um tom efêmero, se não existir um objetivo. Eterno mesmo, apenas o fruto, a experiência recolhida e assim absorvida de cada um desses processos...

Poucas pessoas sabem, mas ainda guardo um gasto papel de guardanapo onde deixei registrado os meus motivos para sobreviver ao diagnóstico. Escrevi de improviso, estava com medo de não "aguentar" a primeira cirurgia. Hoje, enquanto o aperto carinhosamente em minhas mãos, sinto que o grande prêmio de todas as dores físicas se resume aos inúmeros – e inesquecíveis - momentos de plenitude. O câncer representou o contato mais próximo que já tive com a morte... E a essência mais bonita de querer intensamente descobrir o que é a Vida.


E que emaranhado de processos bacanas... Quando dei por mim, já não tinha mais 23 anos... De tudo isso, restaram-me apenas uma cicatriz, histórias para contar e as pegadas de cada um dos caminhos pelos quais acreditei – e assim trilhei.


O grande tapete de flores e folhagens já não é mais o mesmo – e nunca mais será.

As antigas folhagens serviram de adubo para as novas, por reconhecer que tudo nessa vida também contêm um tempo determinado. Assim como as estações... E as sensações...

Quanto as estrelas, se o universo é infinito, os cientistas supõem que o número de corpos celestes que o compõem deve ser igualmente infinito. Nós só podemos contar o número que fica na parte visível do cosmo, aquela cuja luz chega até o nosso planetinha Terra. 5 mil, segundo um famoso site de curiosidades aqui da internet. Não consigo pensar em outro assunto ao escrever esse texto. O numero de estrelas visíveis em nosso grande céu é infinitamente parecido com o numero de estrelas palpáveis que já se passaram por nós, no decorrer dessa vida.


E você, que céu te comove, quantas estrelas (re)conhece?

Que exista sempre um grande universo à descobrir... E se esta difícil agora, tenha apenas um pouco de paciência. Deite-se no seu tapete de flores e folhagens e se permita contemplar a vista...


“Um brinde a vida, a as diversas formas de seguir em frente...”



2 comentários:

  1. Só vejo uma, ela fica na constelação do amor, e chama-se EVELIN.

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